Champagne vendredi, Déc 31 2010 

Se tem uma coisa que é a cara do Réveillon, é o champagne, não é mesmo? Mas vocês sabem que não é qualquer espumante que pode ser chamado de champagne?

Champagne é um vin mousseux (effervescent) protegido pela AOC (appellation d’origine contrôlée), o que quer dizer que há regras muito restritas sobre quais vinhos espumantes podem ser denominados « champagne »: apenas aqueles produzidos nos limites geográficos na região da Champagne, com os tipos de uva determinados (pinot noir, pinot meunier e chardonnay), com a técnica específica. Enfim, uma série de regras que demorou séculos para ser estabelecida e que hoje rege o vinho mais elegante do mundo: le vin de Champagne.

A cultura vinícola da região remonta ao período galo-romano. Quando a característica efervescente desse vinho começou a ser observada, ela foi motivo de preocupação. O vinho começou a ser chamdo de vin du diable e saute-bouchon (« vinho do diabo » e « salta-rolha »), por causa das garrafas que explodiam e das rolhas que pipocavam em virtude da pressão. Foram, justiça se faça, os ingleses os primeiros a serem conquistados pelo vinho diferente, e eles compravam aos montes.

Aí começaram a se fazer os grandes entendedores. O monge Dom Pérignon fez experimentações com uvas, corrigiu os erros do preparo, e inventou um sistema de amarração da rolha para que ela conservasse a efervescência do vinho. Até Louis Pasteur e seus estudos de fermentação ajudaram a alcançar a perfeição do vinho perfeito.

Bouchons de liège (rolhas de liège)

Bouchons de liège (rolhas de liège)

As rolhas em forma de champignon usadas nas garrafas de champagne são chamadas de bouchon de liège, e têm de ser comprimidas antes de entrar no gargalo. Depois se expandem e saem mais gordinhas do que entraram, como mostra a foto com rolhas usadas. Abaixo, a imagem de uma rolha de liège nova, nunca usada:

E agora eu vos pergunto: em que tipo de taça bebeis vosso champagne? Numa flûte?

Numa coupe?

Segundo este artigo do Le Monde, nenhum dos dois está certo! A flûte é estreita demais, faz as bolhas incomodarem o nariz e não permite que os aromas se liberem. E a coupe tem a boca muito larga, perdendo todo o gás. O melhor, de acordo com experts, é um copo de vinho branco cheinho no meio e estreito na boca, em forma de tulipa, como os da foto:

Estas taças são perfeitas porque sua forma ovoidal dá espaço aos aromas do vinho, que podem circular e alcançar nossas narinas quando bebemos, mas também consegue encapsular as bolhas. O artigo lembra que o champagne é, antes de tudo, um vinho, e as bolhinhas são um extra. Devemos consumi-lo com isso em mente: aromas, textura, tudo o que observamos em um bom vinho, deve ser explorado no vin de champagne, o vinho mais festivo que há!

E com isso me despeço de 2010, desejando um lindo ano a todos e convidando-os a continuarem visitando o club Jean Briant de français em 2011, um cantinho francófono mas, surtout, francófilo! 😉

Bonne Année!!

Bonne Année!!

 

 

Links recomendados:

http://fr.wikipedia.org/wiki/Champagne_%28AOC%29

http://www.champagne.fr/

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Se tirer une bûche mardi, Déc 21 2010 

 

Explicação:

Prendre une chaise

Se tirer une bûche ne signifie pas porter un tronc d’arbre, mais simplement prendre une chaise. Cette expression vient du début de la colonie. Elle est facile à comprendre quand on connaît les conditions de vie des colons de cette époque. Les maisons étaient bâties de bois coupé à même les terres défrichées. À moins de faire partie de la bourgeoisie, les meubles étaient rares et construits par le père de famille. À part les paillasses pour dormir, on y trouvait seulement une table de cuisine et puisque les chaises étaient souvent plus difficiles à construire, elles étaient facilement remplacées par de simples bûches taillées à la hauteur nécessaire.
Lembrem que bûcheron = lenhador.

Pâte préssée cuite mercredi, Déc 8 2010 

3. Pâte pressée cuite (queijos de massa prensada cozida)

São queijos como o emmental.

Estes queijos já não são de massa crua, ou seja, não passam apenas por refrigeração, mas também por aquecimento. O leite é aquecido (63 a 68 graus) e depois resfriado até 32 graus, quando recebe os fermentos e o coalho. Depois de um tempo para coagular, corta-se a massa para escoar o soro, e volta-se a reaquecê-la, pendurando-a depois num pano para escorrer. Quando a massa vai para as formas é que ela é prensada e compactada.

Após um banho de salmoura, começa uma longa estada de algumas semanas em caves frias, e outras semanas em caves quentes, e esse tempo varia de queijo para queijo. Os chamados fromages doux ficam uns 3 meses nesse vai-e-vem, e os fromages vieux até 24 meses. E é nessas caves que as bactérias provocam reações gasosas que formam os buracos dos queijos. Quanto mais tempo ficam nas caves, mais buracos eles têm. Queijos que ficam pouco tempo nas caves quentes podem ter apenas ranhuras, em vez de buracos. É o caso do comté.

Cave d'affinage du comté

Cave d'affinage du comté

A aparência desses queijos é de casca firme e massa lisa e consistente.

Origens: montanhas do Jura e dos Alpes, século XVIII.

Época ideal para consumo: primaver e verão, logo depois de terminar a affinage. Na verdade nas outras estações os queijos estarão bons, porém mais curados.

Vinhos sugeridos: os brancos frutados, da região Franche-Comté, Vin Jaune de la Savoie, vinhos tintos provenientes da mesma região do queijo.

Alguns exemplos desse tipo de queijo:

– os AOC: Abondance de Savoie, Beaufort, Comté

Abondance de Savoie

Abondance de Savoie

e mais: Emmental de Savoie, Emmental Grand Cru, Gruyère de Savoie

Emmental Grand Cru

Emmental Grand Cru

Não é lindo, cheio de buraquinhos?

Lista completa dos queijos Pâte pressée cuite.

  • Le saviez-vous?

Por ser um queijo dos Alpes, há muitos queijos italianos famosos dessa categoria, como o Grana Padano, Parmesão e Pecorino, e suíços, como o Emmenthal suíço e o Appenzeller.

Miss France 2011 lundi, Déc 6 2010 

Qu’en pensez-vous de la Miss France, Laury Thilleman, élue ce week-end?

Laury Thilleman

Laury Thilleman, miss Bretagne, élue Miss France 2011

Je la trouve vraiment très belle!

Paris-Brest dimanche, Déc 5 2010 

Eu agora deixo quase sempre meus trending topics do Twitter configurados para França, pra ficar sabendo do que é que os tuiteiros franceses mais estão falando no momento. É curioso ver que eles também adoram falar de reality shows, que nem a gente, e de política, mas até o Beaujolais Nouveau esteve nos TTs na semana do seu lançamento. Hoje fiquei curiosa pra saber o que significava o tópico Paris-Brest, e descobri que todos comentavam um jogo da Ligue, o campeonato francês de futebol, entre o Paris Saint-Germain e o Brest. Mas o que eu achei engraçado foram as brincadeiras com as palavras gâteau, savoureux, dessert

Paris-Brest

Et voilà pourquoi: le gâteau Paris-Brest!

Taí a explicação! O bolo Paris-Brest deu origem às brincadeiras pós-jogo, e me deu foi água na boca, fala sério!

Então vamos à receita?

RECETTE PARIS-BREST

INGRÉDIENTS

Pour 6 personne(s)

Pour la pâte à choux :
25 cl d’eau,
sel,
70 g de beurre,
100 g de farine,
3 oeufs,
70 g d’amandes effilées,

Pour la crème :
2 blancs d’oeufs,
125 g de sucre,
80 g de praliné,
155 g de beurre.

PRÉPARATION

1 – Faites chauffer l’eau en y faisant fondre le beurre. Y mettre la farine et mélanger. Vous devez obtenir une pâte épaisse.
2 – Ajoutez deux oeufs et travaillez la pâte un bon moment. Battez le troisième oeuf et ajoutez la moitié. La pâte doit être maintenant bien épaisse.
3 – Utilisez une poche à douille et dessinez une couronne de 25 centimètres de diamètre environ sur votre plaque beurrée pour le four.
4 – Dorez au pinceau (avec l’oeuf battu quil vous reste). Diposez des amandes effilées.
5 – Mettre au four à 180° (thermostat 4 ou 5). Laisser cuire une demi heure en surveillant.
6 – Laissez refroidir et tranchez la couronne en deux par le milieu. Montez les blancs en neige jusqu’à ce qu’ils soient bien fermes.
7 – Incorporez le sucre peu à peu. Continuez à battre. Mélangez à part le beurre et le praliné. Incorporez ensuite aux blancs.
8 – Avec une poche à douille, remplissez la couronne. Vous pouvez saupoudrer le couvercle de sucre glace.
* poche à douille= saco de confeiteiro
* sucre glace= açúcar de confeiteiro
* montez les blancs en neige= bata as claras em neve
Se preferir, veja o vídeo do Atelier des Chefs:

Fanfan samedi, Déc 4 2010 

Eu tinha 18 anos, e vi um filme no Eurochannel. Chamava-se Fanfan. Pra começar, a atriz do filme era tão linda que parecia um Da Vinci, um Renoir, um Vermeer, algo de inimaginável naquele rosto. O ator tinha aquela fragilidade romântica francesa de garoto perdido (que nunca perde a masculinidade – como os franceses conseguem?) e, enfim, a história era bonita, eu acho que peguei do meio, não quis ver o final pra não estragar. Procurei na programação do canal, lembro que foi um drama conseguir gravar o tal do filme. Tinha um almoço na minha casa no dia que ia passar, o videocassete ficava no quarto dos meus pais, mil coisas. Consegui gravar. O filme se chamava Fanfan, eu já falei isso? Ela se chamava Fanfan.

E ele se chamava Alexandre.

(suspiro)

Com a cena épica (pra mim, pelo menos) do chiclete, com o qual Fanfan tentava se aproximar de Alexandre e ele se afastava, esse conto trovadoresco modernizado entrava na minha vida.

Na ordem inversa, depois de ver e rever o filme umas não-sei-quantas vezes, achei o livro e enfim li Fanfan, de Alexandre Jardin. O filme, com os perfeitos Sophie Marceau e Vincent Pérez, dos quais pra sempre virei fã, é muito fiel a tudo, aos fatos, e especialmente ao espírito do livro. Claro que ajuda muito o fato de o autor ser o roteirista, né? ; )

meu livro é dessa edição, da Siciliano/mon exemplaire est sorti dans cette édition, de Siciliano

meu livro é dessa edição, da Siciliano/mon exemplaire est sorti dans cette édition, de Siciliano

E o que aconteceu depois de todo esse tempo? Comigo, mil coisas. Casei, escrevi um livro, ainda não publicado. E nele tem um Alexandre. Não é à toa. Não mesmo.

E o que tudo isso está fazendo aqui neste blog? Além de recomendar aos leitores do Club que vejam o filme e leiam o livro, eu vos rogo: acompanhem a continuação! Sim, leitores, Alexandre Jardin está escrevendo a continuação da história de Fanfan e Alexandre, em tempo real, e você pode acompanhá-lo de várias maneiras.

Pelo site: http://www.fanfan2.fr/

Pelo twitter: http://twitter.com/alexndre2

Pelo facebook: http://www.facebook.com/pages/Alexandre-2/149528271744779

No site você também pode fazer download de um aplicativo para iPhone e receber as mensagens de Alexandre – o personagem 😉 ! É assim, on-line, que a gente fica a par de tudo o que ele faz para re-seduzir Fanfan todos os dias, com receitas de amor ternas, malucas, engraçadas, românticas, encantadoras, irresistíveis. É impossível não se apaixonar por Alexandre, e também por Fanfan. Eles são feitos para o amor.

Sejamos, nós também!

Version française

J’avais 18 ans et j’ai vu un film à l’Eurochannel. Il s’appelait Fanfan. L’actrice du film était belle comme un Da Vinci, un Renoir, un Vermeer, il y avait quelque chose d’inimaginable sur son visage. L’acteur avait la fragilité romantique du jeune homme français à l’air perdu (mais qui ne perd jamais sa virilité – comment est-ce que les Français y arrivent-ils?) Eh bien, l’histoire était belle et tout, je crois que j’ai pris le film au milieu et je ne voulais pas voir la fin. Donc je l’ai cherché dans la programmation de la chaîne, et je me souviens que ça a été un drame pour pouvoir l’enregistrer. Il y aurait une sorte de déjeuner spécial chez moi le même jour, le magnétoscope était dans la chambre de mes parents… Mais j’ai réussi à l’enregistrer. Le film s’appelait Fanfan, je l’ai déjà dit, non? Elle s’appelait Fanfan.

Et lui, il s’appelait Alexandre.

(Soupir)

Avec la scène épique (au moins pour moi) de la gomme à mâcher, avec laquelle Fanfan essayait de se rapprocher d’Alexandre et lui, il s’éloignait, ce conte d’un troubadour moderne est entré dans ma vie.

Dans l’ordre inverse, après avoir vu le film beaucoup de fois, j’ai trouvé le livre et finalement j’ai lu Fanfan, par Alexandre Jardin. Le film, avec les très parfaits Sophie Marceau et Vincent Pérez, duquels je suis devenue fana, est très fidèle au livre, pas seulement aux faits, mais surtout à son esprit. Bon, l’auteur du livre a écrit le scénario, et ça aide beaucoup, bien sûr. ; )

Et que s’est-il passé après tout ce temps? Avec moi, mille choses. Je me suis mariée, j’ai écrit un livre, pas encore publié. Et, dans ce livre, il y a un Alexandre. C’est pas étonnant. Pas du tout.

Et qu’est-ce que tout cela fait ici, sur ce blog? Outre la recommandation du film et du livre, je vous prie: suivez la suite! Oui, lecteurs, Alexandre Jardin est en train d’écrire la suite de l’histoire de Fanfan et Alexandre, en temps réel, et vous pouvez l’accompagner de plusieurs façons.

Site Web: http://www.fanfan2.fr/
Twitter: http://twitter.com/alexndre2
Facebook: http://www.facebook.com/pages/Alexandre-2/149528271744779

Sur le site vous pouvez également télécharger une application pour iPhone et recevoir les messages d’Alexandre – le personnage 😉 ! De cette façon, en ligne, nous serons au courant de tout ce qu’il fait pour re-séduire Fanfan tous les jours, avec des recettes d’amour tendres, folles, drôles, romantiques, charmantes, irrésistibles. Il est impossible de ne pas tomber amoureuse d’Alexandre, et aussi de Fanfan. Ils sont faits pour l’amour.

 

la scène de la valse

la scène de la valse

Soyons-le, nous aussi!

C’est quétaine! vendredi, Déc 3 2010 

A história desta expressão québécoise é interessante. Será que tem a ver com kitsch?

Explicação:

C’est démodé, de mauvais goût, laid, affreux.

Plusieurs histoires circulent au sujet du mot quétaine. La plus  probable suggère que le mot est une déformation du nom de famille Keaton ou  Kitten. Cette famille vivait dans un quartier défavorisé de Saint-Hyacinthe au cours des années 1940. On disait qu’elle avait des goûts vestimentaires discutables. C’est ainsi que c’est quétaine  a commencé par désigner une personne mal habillée et ensuite un style, une personne ou une manière de vivre démodé ou de mauvais goût.
Equivalente a cafona, brega, fora de moda.

Vocabulaire d’Alexandre… jeudi, Déc 2 2010 

Depois eu vou explicar pra vocês, num post que será mais longo do que eu posso escrever agora, de onde vêm as expressões que salpico hoje aqui como um temperinho e também uma pequena provocação, para que fiquem ligados e curiosos! Sabem quem é esse Alexandre do título que andou usando estas expressões?

  • pied de nez = geste moqueur, moquerie
  • rouler une pelle = beijar de língua
  • être à l’ouest = être dans un état anormal, avoir la tête ailleurs
  • pisse-froid = rabat-joie, personne triste, ennemie de la joie des autres, casseux de veillée (Canada) (estraga-prazeres)

Por enquanto, ça suffit… Aguardem notícias de Alexandre…